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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Barco de Arte Xávega - Praia de Mira


Barco  de Arte Xávega - Praia de Mira



Viagem
(1962)

Aparelhei o barco da ilusão

E reforcei a fé de marinheiro.

Era longe o meu sonho, e traiçoeiro

O mar...

(Só nos é concedida

Esta vida

Que temos;

E é nela que é preciso

Procurar

O velho paraíso

Que perdemos).

Prestes, larguei a vela

E disse adeus ao cais, à paz tolhida.

Desmedida,

A revolta imensidão

Transforma dia a dia a embarcação

Numa errante e alada sepultura...

Mas corto as ondas sem desanimar.

Em qualquer aventura,

O que importa é partir, não é chegar. 


                                                                                        Miguel Torga, Antologia Poética, 5ª Edição, Lisboa, D. Quixote, 1999



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