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terça-feira, 31 de julho de 2012

Sé da Guarda


Sé da Guarda - Fachada Sul



A Sé da Guarda e o Mosteiro da Batalha segundo Joaquim de Vasconcelos

"Com effeito, os dois monumentos estão intimamente ligados, fornecendo aliás um contraste perfeito, como sucede tantas vezes entre irmãos de uma mesma família. A dissemelhança aparente desafia mesmo um confronto; e logo  se revela a um olhar atento e experimentado nas coisas da Arte e versado nas coisas da technica profissional, tal como este aparece no nosso paiz em variadíssimas formas, segundo o carácter do material empregado, e a influencia do meio climaterico que o gasta ou conserva, colora ou destingue. Erigir uma Sé, um templo, no limite da Beira transmontana e da Beira Central a 1093 metros de altitude, em áspero granito; ou levantar uma egreja conventual nas férteis e fartas planícies da Extremadura, com o brando e alvo calcareo, extrahído das mansas ondulações da Serra d`Ayres, são problemas bem diversos. (…)

A primeira impressão foi formidável, á noite, quasi ás escuras ( não havia então iluminação artificial) nas ruas ermas, apalpando o terreno, subindo e descendo os diferentes planos em que a Sé assenta. Nenhum dos elementos que encantam a vista e poem em relevo o perfil de uma construção gothica, convidando a entrar. Muros cerrados, frestas sombrias. Nem os arco-botantes abraçando os muros por cima das naves, descendo sobre os botareos; nem as agulhas esbeltas nas torres; nem largas janelas, prodigas de luz, nem lançarias que emoldurassem as vidraças coradas, nem emfim a renda subtil que na Batalha corôa e remata todos os frisos, consagra e symbolisa a pureza do culto da Virgem e representa também o emblema heráldico da dynastia, o lyrio, repetido quatro vezes nos braços da cruz floreteada de Aviz."


Joaquim de Vasconcelos <<Guarda, Serra – Cidade – Cathedral>>, in A arte e a natureza em Portugal

"Grande parte do interesse do exterior da Sé, para além da forte presença dos seus elementos estruturais, reside nos portais e janelas datados de épocas várias. São estes elementos que não só permitem compreender visualmente a lenta gestão das obras como ainda entender que as actualizações estéticas se processavam através de formas decorativas.

Vista do exterior, a Sé da Guarda apresenta em traços gerais um aspecto fortificado, acentuado o primado dos valores construtivos sobre os decorativos. O grande tema arquitectónico são os muros e as suas extensões sem vãos.

A fachada sul apresenta sobretudo os seus elementos estruturais."



José Fernandes Pereira, Guarda, Cidades e Vilas de Portugal, Editorial Presença


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