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domingo, 15 de julho de 2012

Igreja e Convento de Santa Maria de Aguiar - Castelo Rodrigo



Igreja e Convento de Santa Maria de Aguiar
Construído quando o território de Riba-Côa se encontrava na posse do reino leonês, para alguns autores (HERCULANO), ou já sob a ordem portuguesa, para outros (AZEVEDO, 1962), o Mosteiro de Santa Maria de Aguiar data de meados do século XII, altura em que uma primitiva comunidade de monges beneditinos (ou de eremitas) aqui se instalou (CARVALHEIRA, 2002, p.18). Na década de 70 desse século, a comunidade abraçou a Ordem de Cister e deu-se então início à construção que hoje vemos.

O projecto adoptado pela comunidade reformada deu especial atenção à água, elemento tão caro aos mosteiros cistercienses. O local beneficiava da proximidade da ribeira de Aguiar e há notícias de canalizações ainda no século XV (IDEM, p.28). Arquitectonicamente, previa um interior amplo, organizado em três naves, mas tal só aconteceu nos primeiros dois tramos. Provavelmente por falta de verbas, o plano foi drasticamente reduzido, embora se tenham mantido as dominantes essenciais de cunho cisterciense: linhas austeras e rígidas, ausência de decoração, sobriedade generalizada. Ainda assim, a qualidade e ambição do projecto inicial documenta-se em alguns aspectos construtivos, como a elevação à mesma altura da nave central e do transepto saliente. A cabeceira é tripartida e escalonada, de planta rectangular, com capela-mor de maior relevância em relação aos absidíolos.

Do claustro, construído quase um século depois da igreja, resta a Sala do Capítulo, espaço quadrangular que denuncia já uma clara tendência para o naturalismo decorativo, característico da escultura arquitectónica do século XIV. Conhecemos a quadra apenas através de uma fotografia publicada por João Couto (1927), que revela duas alas de arcarias contínuas em arcos de volta perfeita assentes sobre salientes capitéis dóricos, desprovidos de qualquer decoração (CARVALHEIRA, 2002, p.31).

No final da Idade Média, as doações régias e as de senhores da região diminuíram consideravelmente. Não obstante, Santa Maria de Aguiar manteve a posse de vastas terras, tanto em território nacional, como na parcela castelhana. A própria localização do mosteiro numa área raiana, demasiado sensível em tempos de guerra, conduziu a uma certa decadência da instituição, materializada, em 1459, na carta do abade D. Nuno Álvares ao Papa, dando conta do estado lastimável do mosteiro por essa altura.

Na época moderna, foram várias as obras efectuadas no conjunto. Do período quinhentista datará o piso superior do claustro, entre outros trabalhos não discriminados. No século XVII, na sequência de um movimento reformista no seio da Ordem de Cister, o mosteiro foi objecto de algumas obras de actualização estética, como o novo retábulo, mandado executar em 1636. Cerca de vinte anos antes, aqui se fez sepultar Fr. Bernardo de Brito, cronista do Mosteiro de Alcobaça e um dos nomes principais da Monarquia Lusitana, o primeiro ensaio historiográfico português segundo alguns autores. Do século XVIII data o cadeiral de talha barroca, bem como alguns altares e respectivas imagens devocionais.

O período das invasões francesas e a posterior extinção das ordens religiosas determinou o estado de abandono a que o mosteiro chegou na segunda metade do século XIX e inícios do século XX. Alienado pelo Estado em hasta pública, só em 1937 aconteceram as primeiras obras de restauro, a cargo da DGEMN. Estas foram alvo de um recente estudo, comprovando-se a radicalidade do método aplicado. Ao longo de pouco mais de vinte e cinco anos de intervenção, a DGEMN reinventou o monumento, acrescentando e reconstruindo numerosas partes: "apenas o alçado meridional e a nave lateral sul terão obtido o total respeito dos responsáveis pelo programa de restauro" (IDEM, p.117). Ainda mais recentemente, a partir de 2001, o mosteiro passou a integrar o programa de intervenções em conjuntos monásticos, desenvolvido pelo IPPAR, que contou com uma campanha de beneficiação integral do monumento.

Fonte: IGESPAR  IP

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