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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Escarigo - Figueira de Castelo Rodrigo



Ponte sobre a ribeira de Alinguel
Escarigo - Figueira de Castelo Rodrigo - Guarda


Na ribeira deste rio
Ou na ribeira daquele
Passam meus dias a fio,
Nada me impede, me impele,
Me dá calor ou dá frio

Vou vendo o que o rio faz
Quando o rio não faz nada.
Vejo os rastos que ele traz,
Numa sequência arrastada,
Do que ficou para trás.

Vou vendo e vou meditando,
Não bem no rio que passa
Mas só no que estou pensando,
Porque o bem dele é que faça
Eu não ver que vai passando

Vou na ribeira do rio
Que está aqui ou ali,
E do seu curso me fio
Porque se o vi ou não vi,
Ele passa e eu confio.

2-10-1933


Fernando Pessoa, Obra Poética E Em Prosa, Vol I, Poesia, 1986, Lello & Irmão - Editores Porto







































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