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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Convento de Sacaparte - Alfaiates - Sabugal


         
          

Ruínas do Convento de Sacaparte
Alfaiates - Sabugal


          " As estórias de fantasmas, de bruxedos e de lobisomens contadas ao serão apresentam-nos também algo de absolutamente novo nos terrores nocturnos de crianças e até de adultos.
          É possível que algumas destas estórias nascessem como consequência dos terrores infundidos pelos frades do Convento de Sacaparte com o Santo Ofício da Inquisição.
          Ainda há poucas décadas não tinha por ali sido inventada a electricidade e, nas longas noites de Inverno, à volta da lareira, continuavam a contar-se os horrores praticados pelos frades ao abrigo daquela instituição.
          Não admira, pois que toda a gente tivesse medo de passar nas proximidades daquele Convento, em ruínas desde há séculos, principalmente durante a noite. (...)
          (...) Dizem as estórias contadas por toda a gente que, nas redondezas da Sacaparte, aparecem, a quem por ali passe de noite, sozinho, padres sem costas.
          É verdade que os contrabadistas ali passavam quase todas as noites com as cargas às costas, mas não passavam sozinhos. passavam ali, às dezenas, todas as noites, em fila indiana.
           Não se sabia, em concreto, de alguém a quem já alguma vez tivesse aparecido um padre nessas condições, mas também é verdade que nunca se ouviu dizer que alguém tivesse tido a coragem de passar por locais tão sagrados depois de a luz do dia se ter ido embora.
          Estes contos de terror primam, no mínimo, pela originalidade. (...)
           (...) O valor histórico é enorme pois que em mil duzentos e sessenta e oito já era um dos maiores centros de peregrinação do nosso País. conforme conta no livro "Alfaiates na Órbita da Sacaparte", do Pe. francisco Vaz(...)
          (...) Embora tratando-se de um lugar santo e de muitas peregrinações não deixa de ser um lugar temido e de que se contam muitas estórias, curiosas, umas, e apavorantes, outras. (...)
          (...) Uma estória muito curiosa está relacionada com o estado de destruição em que se encontra o Convento.
         Com efeito, depois dos frades terem abandonado o Convento muita gente passou a ir buscar pedra de alvenaria já aparelhada, para construir as suas casas na freguesia e ficou de pé aquela parte que ainda hoje existe porque o Ti João Nobre também fez o mesmo que faziam todos os outros, só que ele saíu-se mal.
         Enquanto andava a transportar aquela pedra e a construir a casa, uma noite, durante o sono, ouviu uma voz que lhe dizia: " Não toques mais na pedra daquela casa porque aquela casa é sagrada."
Mas ele não fez caso e continuou a ir lá buscar pedra. Segunda vez ele ouviu a mesma voz a avisá-lo: " Não toques mais na pedra daquela casa porque aquela casa é sagrada."
        Mesmo assim ele não quis saber e continuou a ir lá buscar pedra. Só que, da terceira vez, a voz que ouviu, de noite, foi bem mais dura, pois disse-lhe:
                                                    " Tu, a casa construirás,
                                                        Mas nela não viverás".
         Mas nem este aviso pronunciado com uma dureza tãogrande foi suficiente para o intimidar.
as consequências não se fizeram esperar: quando estava com os outros homens a subir a uma pedra para a parte superior da parede, já no primeiro andar, com a ajuda de um sarilho, único equipamento então existente para o efeito, o sarilho soltou-se, ele deixou-se apanhar por um dos estadulhos e ficou desfeito.
        A partir dessa altura ninguém mais teve coragem para dali tirar pedra e o Convento passou a ser considerado tão santo como a própria Capela."


Porfírio Ramos, Memórias de Alfaiates e Outras Terras Raianas, Edição do Autor, 2009



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