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terça-feira, 22 de maio de 2012

Rio Côa - Sabugal - II


Rio Côa -  Sabugal


           " Se às vezes digo que as flores sorriem
             E se eu disser que os rios cantam,
             Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores
             E cantos no correr dos rios...
             É porque assim faço mais sentir aos homens falsos
             A existência verdadeiramente real das flores e dos rios.


             Porque escrevo para eles me lerem sacrifico-me às vezes
             À sua estupidez de sentidos...
             Não concordo comigo mas absolvo-me,
             Porque só sou essa cousa séria, um intérprete da Natureza,
             Porque há homens que não percebem a sua linguagem,
             Por ela não ser linguagem nenhuma."

Fernando Pessoa (Alberto Caeiro) , Obra Poética e em Prosa, Vol. I - Poesia,
 1986,  Lello & Irmão- Editores, Porto

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